A Odontologia sempre se caracterizou pela independência, tanto profissional, quanto financeira. Este lado liberal tornou a profissão, por anos, muito desejada, ao contrário dos 06 anos da medicina por exemplo, com 04 anos de faculdade, o jovem já exercia sua profissão e em alguns casos, conseguia sua independência financeira..
O mercado mudou por vários fatores, todos eles confluindo na seguinte consequência, excesso de mão de obra de cirurgiões dentistas. Onde ha excesso de algo, obviamente valor diminui.Isso ocorre com as comoditties brasileiras como soja, arroz, milho.
Sabendo que o mercado agrícola, oscila de uma forma muito perigosa, expondo os agricultores a riscos de falência ou de lucro zero, que seria a mesma coisa que dizer que tiveram prejuízo, pois fizeram um investimento de 6 ou 12 meses, esperando uma boa colheita. O governo preparou uma politica de subsidios e de financiamento. Isso não deixa nenhum destes agricultores milionários, mas incentiva a produção do ano seguinte. Mantendo desta forma o ciclo da produção, abastecimento do mercado interno e exportação.
O governo não age desta forma, porque é bonzinho, e sim o faz com receio das consequências, da falta de abastecimento dos produtos, tanto no mercado interno, quanto preocupado com um desequilíbrio na balança comercial, em exportações.
A tão desejada independência profissional, ocorre a medida que o Cirurgião dentista, oferece seu trabalho a seus pacientes (independente de ser consultório próprio ou como empregado/prestador de serviço), nos dias e horários que deseja, isso ainda predomina na classe odontológica, mas observamos uma tendência a diminuir. Escolher dias e horários, que você vai trabalhar, seria um sonho na maioria das profissões.
A independência financeira está diretamente ligada a quantidade de horas prestando atendimento, isso liga o dentista em um modelo que, quanto mais ele trabalha, mais ele ganha. Isto independente se ele tem clínica, atende sozinho, presta serviço ou faz plantões. Mais trabalho, mais dinheiro.
Só que a Terra, no intervalo entre as colheitas, período chamado entressafra, e adubada, em momentos fica sem safra para produzir com mais qualidade no ano seguinte. Já o profissional poderá fica uma “safra” descansando ?
Se compararmos o modelo de atendimento odontológico l, ao modelo de proteção das comoditties agrícolas, não seria o momento de governo, via entidades, proteger os dentistas. Lembrando o excesso de mão de obra, diminui valor desta mão de obra.
A proteção a áreas específicas de negócios não é usual e nem corriqueira, mas estamos em um momento que dez mil novos dentistas são despejados no mercado anualmente, com diversos interesses difusos e até conflitantes. Sendo assim, fazendo uma analogia com as comoditties agrícolas, não estaria assim o governo expondo a sociedade de forma geral a maiores riscos, com mercado inundado de profissionais mal preparados e desestimulados? E não seria a hora de proteger a Odontologia assim como ele faz com a agricultura ?
Vamos pensar sobre isso ?
Diogo A. Vilela
Crosp 59520









